SINPOL nasceu na greve de 1993
O nosso Sindicato nasceu em 1993, no segundo governo do Brizola, em plena greve dos policiais civis. Insatisfeitos com as entidades que se diziam representantes da categoria, os líderes da greve, tendo à frente o companheiro Fernando Bandeira, decidiram fundar o SINPOL. Naquela ocasião, foram duas greves em um mês; com dois dias de duração cada uma. As reivindicações foram atendidas plenamente, mas muitos colegas foram punidos, como por exemplo, Fernando Bandeira, que respondeu um inquérito e ficou sem salário por quatro anos.
Embora o SINPOL tenha sido fundado em 23 de Março de 1993, o seu registro no Ministério do Trabalho só ocorreu em 3 de Novembro, com a publicação no Diário Oficial da União, de 3/11/93, na página 16.485.
A diretoria eleita provisoriamente, na assembléia, estabeleceu que haveria eleição definitiva, logo que o número de associados chegasse a três mil, com o voto contrário do companheiro Fernando Bandeira, eleito presidente, que defendia eleição no prazo de 180 dias.
O desconto em folha das mensalidades em 1996, uma vez que com as greves ocorridas em 93, Bandeira já estava respondendo a mais um inquérito administrativo, com suspensão dos vencimentos por quatro anos. Até aquele momento o Sindicato vinha sendo mantido com a colaboração do Bandeira e de outros colegas abnegados. Era uma pequena sala de 15 metros quadrados, um telefone, duas mesas, 10 cadeiras, um fax e uma empregada.
Com as dificuldades verificadas nesse período, dificilmente o sindicato iria alcançar 3 mil sócios e, em conseqüência, eleger uma diretoria para cumprir mandato pré-estabelecido. Com a renúncia e a morte de alguns dirigentes, foram realizadas duas assembléias para completar os cargos vagos na diretoria provisória.
Antes, porém, com eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador Marcelo Alencar, pelo PSDB, empossados em Janeiro de 95, a direção da Coligação dos Policiais Civis, juntamente com outras entidades da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Federal, são chamados para uma reunião no Palácio Guanabara. Ao tomar conhecimento, Bandeira, Geraldo Ferreira e outros diretores do SINPOL, vão lá e são barrados. Soube-se depois que ali ocorreu um pacto de contribuição mútua das entidades da segurança estadual e federal, com os governos do PSDB, visando facilitar as suas administrações.
Em 96, já recebendo mensalidades de uns 200 associados, o SINPOL entra 97, mobilizando os policiais, por causa dos baixos salários e pela crise que começa na Polícia Civil, cuja chefia passa para o delegado Hélio Luz, militante político tido como esquerda, que promete colocar a chamada banda podre na cadeia. É iniciado aí a total quebra de hierarquia na PCERJ, com delegados de 2 e 3a. classe mandando nos de 1a. Detetives dando ordens para Escrivões e Detetive-Inspetores.
Com jornal do SINPOL circulando com alguma regularidade, é iniciado um movimento para elaborar um plano de cargos e salários, com a participação de todas as entidades de classe da Polícia Civil. A posição do Dr. Hélio Luz era beneficiar apenas algumas categorias da ativa, deixando aposentados e pensionistas de fora. O SINPOL e União dos Policiais, tendo na presidência o companheiro José de Holanda Guimarães, já falecido, não aceitam e começam a ser perseguidos. Com a revolta dos policiais civis e militares em todo o país, com greves, tiros e mortes, o Rio começa a se mobilizar para uma grande passeata, com o jornal do SINPOL convocando e a diretoria colocando faixas em quase todas as delegacias. Panfletagem, carros de som, pequenos discursos em frente a chefia ajudam na mobilização.
Já pensando em sua candidatura a deputado estadual em 98, pelo PT, e como não tinha o apoio do SINPOL para o seu projeto político, o delegado Hélio Luz resolve criar um plano para afastar a diretoria e eleger os seus aliados. Cria dois grupos de policiais: Núcleo de Defesa dos Policiais e Núcleo de Valorização dos Policiais. O primeiro se dizia contra a administração dele e o outro defendia. E ambos atacavam o sindicato, com forte apoio da imprensa, que recebia informações da Chefia de,que quem representava a base dos policiais era o Núcleo de Defesa dos Policiais e o restante era pelego. E o sindicato não tinha nem 500 associados e por isso não podia falar em nome da categoria.
Resistindo a toda essa perseguição, Bandeira é transferido para várias delegacias, começando pela 5ª, quando era na Rua do Lavradio, onde o titular era um delegado de 1a.mas quem mandava era uma delegada de 2a., e que tinha ordens para punir o presidente do Sindicato, caso ele faltasse ou trocasse de plantão. Ali Bandeira pegou 15 dias de suspensão, que não converteu em multa. Isto é, teve que trabalhar e não receber por 15 dias. Depois foi para 76ª, em Niterói, com determinação de dar plantão no xadrez. Percorreu outras unidades até entrar em outro inquérito, em 98. Depois do grande teatro comandado pelo delegado Hélio Luz, que ia para as universidades fazer palestras ofendendo os policiais, com isso ficando na mídia. Teve um momento em que usou um grupo de policiais, ligados a ele, para abrir mão de qualquer reajuste para categoria, desde que o governo o mantivesse na Chefia. Tudo combinado com o governador Marcelo Alencar e o General Cerqueira, secretário de segurança, candidato a deputado federal.
Vem as eleições de Outubro, Hélio Luz é eleito deputado estadual pelo PT e Garotinho é eleito governador pelo PDT, com Benedita, do PT, como Vice.
Neste ano é aprovada a Lei que deixa os aposentados e pensionistas de fora e cuja vigência fica condicionada a outras medidas. Marcelo Alencar sofre uma tremenda derrota eleitoral e FHC é reeleito.
No final de 98, os associados do Sindicato se reúnem em assembléia, mudam os estatutos, retirando a exigência de 3 mil associados e marcam as eleições, para mandato de 4 anos. Com 400 associados, concorrem três chapas. Bandeira encabeça uma e as outras são: do Nuclepol, com Gemerson, Cláudio Cruz e Ferraz: a outra, do Núcleo de Valorização do policial, encabeçado por Pedra e Paladine. Durante a eleição, as duas chapas de oposição se unem numa só e mesmo assim é derrotada. A chapa do Bandeira é eleita com 67% dos votos.
O SINPOL se muda para um espaço maior, na Av. Henrique Valadares, esquina com Rua dos Inválidos, em frente ao prédio velho da SSP. Na inauguração da primeira delegacia legal, em 99, na Av. Gomes Freire, a 5ª DP, o SINPOL faz um protesto com faixas e cartazes, cobrando a paridade dos aposentados e pensionistas, obrigando o governador Garotinho a ler uma das faixas e dizer que vai cumprir a Constituição com relação a esse dispositivo.

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